Paulo Gustavo se defende de post sobre excesso de selfies: “Estamos aprendendo”

Humorista protestou nas redes sociais contra febre de autorretratos

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Ao lado de Ivete Sangalo, Paulo Gustavo apresenta terça-feira (1º) a 22ª edição do Prêmio Multishow, que elegerá os melhores da música em 15 categorias. “Quando faço apresentações menores, que consigo ver a reação das pessoas, quem está com sono, disperso, fico mais tenso do que quando encaro multidões”, afirma ele, que chega a reunir 10 mil pessoas na plateia da comédia 220 Volts. “Virei uma pequena empresa, tenho uma equipe de 50 pessoas”, diz o comediante, que junto com o sucesso viu seu nome envolvido em fuxicos – Paulo teria virado estrela, não faz mais selfies com fãs e teria exigido privilégios nos bastidores do humorístico Vai que Cola, só para citar alguns. “Não sou o palhaço da TV 24 horas por dia, as vezes estou mal humorado, triste…sou humano. É difícil acordar 8h da manhã, sair de casa e já ter alguém pedindo selfie. Não dá para agradar todo mundo e nós, artistas, também estamos nos acostumando com essa era dos celulares com câmera. Se nos incomodamos, não é porque somos chatos ou estamos nos achando, é porque também não estamos sabendo lidar com esse novo momento, onde todos querem foto o tempo inteiro”, diz ele, que recentemente foi criticado por apoiar Fernanda Montenegro em um post nas redes sociais no qual reclamava do execesso de selfies dos fãs. Outros boatos se referem à sua vida amorosa – um namoro com Marcus Majella, seu parceiro de cena, e também com Fil Braz, roteirista dos seus programas, foram assunto nos sites de celebridades recentemente. “Não me sinto pressionado a levantar bandeira gay. Se estou com o Thales (o médico Thales Bretas, seu namorado) ou não, isso só diz respeito a mim. Não preciso falar da minha vida pessoal para debater a homossexualidade e o preconceito. Falo e critico esses temas através da minha arte, com meus personagens: essa é minha contribuição para a causa gay”

Como vai ser apresentar o prêmio novamente com a Ivete?

Somos muito amigos e já combinei com a Ivete que vamos ficar nos sacaneando do início ao fim da apresentação. É uma forma de darmos uma alegrada e colocar a premiação para cima, afinal são quase 3 horas de evento. Eu e ela estamos ali para levar nossa alegria e nos divertimos bastante fazendo. Desta vez o prêmio vai falar da diversidade musical e festejar o funk, o forró e o sertanejo, os 50 anos de carreira de Gil e Caetano, os 100 anos do samba e os 30 anos do axé.

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Fica nervoso ao se apresentar para multidões?

É mais difícil me apresentar em um teatro menor do que encarar multidões. Quando faço um evento com pouco gente fico mais nervoso do que quando tem 10 mil pessoas na plateia. É mais fácil para mim lidar com a multidão, já estou mais acostumado com isso. Quando é um apresentação mais intimista, menor, dá para eu ver mais o rosto das pessoas, as reações da plateia, ver quem está com sono, quem está gostando ou não e quem está disperso. E isso me deixa tenso. Não preciso de muitas horas de concentração, mas minutos antes de entrar em cena eu rezo, peço equilíbrio e peço para transformar aquela plateia de alguma forma, porque é esse um dos objetivos da arte. Também gosto de tomar um chá antes para aquecer a voz e, depois disso, é só subir no palco e tocar fogo.

No que a fama mudou sua vida?

Reconheço que hoje sou uma pequena empresa, atualmente trabalho com cerca de 50 pessoas. Mas no geral não mudou nada: faço quase tudo, meu carro não tem vidro fumê, mas não por nada, é porque eu não enxergo mesmo. Vou ao banco, fico horas conversando com a minha gerente, tomo café com ela e não me privo de andar na rua. É claro que sei que vou ser abordado o tempo inteiro, mas não posso deixar de sair e viver minha vida. Até porque meus personagens são criados através da minha observação, e isso só se dá se eu for para a rua ver gente. Não posso criar um personagem popular sendo um cara alienado, excluído da sociedade. Me forço ir ao mercado, sabe?! Preciso ter a vida real para poder levar a vida real para o palco, forço uma barra mesmo nesse sentido e tento conviver com isso da melhor forma possível.

E os boatos de que você tenha virado ‘estrela’ e de que não faz mais selfies com fãs?

A fofoca vai sempre existir. Claro que sou ser humano e as vezes fico chateado com o que falam e escrevem de mim, mas no geral isso não me atrapalha em nada. Eu costumo atender a todo mundo e até inventei com a produção do ‘Vai que Cola’ uma corda para colocarem eu o Marcus Majella ali dentro para podermos fazer fotos e dar autógrafos para o máximo de pessoas possível. Outro dia foi até engraçado, porque me vi, junto com o Marquinhos, cercado por um monte de criança e depois disse para ele: ‘nós somos como os Trapalhões, praticamente o Didi e o Zacharias’ (risos). Recentemente me apresentei em Paulínia para cerca de 7 mil pessoas e quando acabou, me joguei no meio do público, conversei, fiz foto… pode sair a fofoca que for nesse sentido, atendo ao público há 10 anos, desde que comecei a fazer teatro. Esse tipo de fuxico não tem força e não há nada mais revolucionário do que a verdade.

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Como se sentiu ao ser criticado por reclamar do excesso de selfies?

Eu me identifiquei com o desabafo da Fernanda Montenegro, que reclamou dos selfies, e postei isso nas redes sociais porque passo por isso diariamente. Se estou no aeroporto, tiro 100 fotos com fãs entre a minha chegada, embarque e a entrada no avião. Mas se disser ‘não’ para alguém porque corro o risco de perder o voo, por exemplo, essa pessoa vai me odiar para sempre. Não tem jeito de agradar todo mundo, alguém vai sempre dizer: ‘fui entrar no avião, quis fazer foto com o Paulo Gustavo e ele não olhou na minha cara’. Mas não é bem assim: eu estava no limite da hora de entrar no avião, entendeu? O público tem que entender que nós, artistas, também estamos nos acostumando com essa era dos celulares com câmera, onde todos querem foto o tempo inteiro. Antigamente, quando o Miguel Falabella, a Regina Casé, a Deborah Bloch e a Fernanda Torres, por exemplo, iam para a rua, eles não passavam por isso porque não tinha esse volume de câmeras. Hoje a gente se incomoda não é porque é ruim, chato ou está se achando, é porque não estamos sabendo como lidar com esse novo momento.

E os comentários em relação a sua vida pessoal?

Essas blogs que falam mal de todo mundo, não são o melhor lugar para o público se informar sobre os artistas. Saiu que eu estava namorando o Marquinhos Majella, outro dia fui dar uma volta com o Fil Brás, meu amigo de muitos anos, o roteirista de tudo o que eu faço, e aí colocaram que eu estava dando uma volta com o meu namorado. Ou seja: preocupação zero com a verdade. Não me sinto pressionado a levantar bandeira gay e não preciso falar da minha vida pessoal para debater a homossexualidade e o preconceito. Só o fato de fazer uma peça vestido de mulher, abordar esses temas árduos, fazer essa peça ser um fenômeno, já é um ato político. Gostaria que, com a minha arte, pudesse contribuir de alguma forma. Tenho um público infantil, que são os cidadãos do futuro, e de idosos, que já têm suas opiniões formadas, muito grande e se puder modificar um pouco a cabeça de quem está me assistindo, ficaria muito feliz. Se estou com o Thales (o médico Thales Bretas, seu namorado) ou não, isso só diz respeito a mim. Não preciso falar da minha vida pessoal para debater a homossexualidade e o preconceito. Falo e critico esses temas através da minha arte, com meus personagens: essa é minha contribuição para a causa gay.

Publicado por Bruno Astuto em Época
Fotos: Fábio Bartelt

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