‘Todos estão muito radicais’, diz Paulo Gustavo

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Humorista estreia temporada de ‘220 Volts’ e se diz atento ao politicamento correto

RIO — Há cinco anos, Paulo Gustavo fazia sua estreia no Multishow com “220 Volts”, a primeira parceria com o canal. Três anos depois da última leva de episódios, em 2013, o ator estreia a quinta temporada do humorístico, segunda-feira, dia 26, às 22h30m. Além dos tipos clássicos do ator, como a Senhora dos Absurdos, Dona Hermínia e Sem Noção, Paulo adicionou outros, como Maria Enfisema, uma fumante que acha que o cigarro é a solução para os problemas do mundo; a Famosa no Snap; e o Repórter Sem Filtro — os dois últimos não são fixos.

— A Maria Enfisema é um personagem com humor ácido. Tocamos em assuntos delicados, sempre através do humor. Assim como a Senhora dos Absurdos, que é aquela preconceituosa, sempre falando besteira, mas que todo mundo adora! — diz Paulo.

Mas ele sabe que, apesar de fazer graça, precisa estar atento à patrulha do politicamente correto “nestes tempos em que qualquer coisa vira polêmica”. Por isso, antes de escrever, ele diz, pensa nos mínimos detalhes, para não ultrapassar “a linha tênue entre ser ácido e preconceituoso”.

— No final das contas, dependendo da situação, você vira a pessoa mais preconceituosa do mundo. Todos estão muito extremistas, exagerados, radicais. Através do humor você pode dizer muita coisa difícil, tocar em assuntos delicados, mas sempre querendo fazer as pessoas rirem, mas também refletirem — afirma ele, que não acredita num esgotamento de seus personagens. — Dona Hermínia é a mais antiga e já estamos com um novo filme vindo aí, com força total. Estamos muito satisfeitos, ainda quero brincar muito com ela. Eu tenho uma estratégia também para estar sempre fazendo coisas e projetos diferentes.

Paulo conta que o “220 volts” ficou parado por conta da agenda. Agora, por exemplo, ele se apresenta com a peça “Hiperativo” nos fins de semana e, durante a semana, alterna-se entre gravações na TV, peças publicitárias e roteiros. A agenda, segue lotada: em 17 de outubro, começa a quarta temporada do “Vai que cola”, também no Multishow; em 11 de novembro, estreia no Rio a nova peça, “Online”, que fala sobre o excesso de informações do mundo atual; em 29 dezembro, chega aos cinemas a segunda parte de “Minha mãe é uma peça”.

— Eu gosto de fazer um trabalho mais artesanal, de elaborar, e para isso preciso de tempo. Sou um cara que gosta de participar de todas es etapas, mas é pesado. Mas sou eu quem cria, invento o tema, faz o roteiro, sou o cabeça de tudo — explica ele, que tirou as últimas férias em julho deste ano, quando foi para Amsterdã com o marido, Thales Bretas, e alguns amigos.

Além de viajar, nas horas vagas Paulo gosta de sair, tomar vinho, comer chocolate, sorvete e pipoca, e ver séries de TV:

— Fui ver aquela “Stranger things” e fiquei cinco dias com medo, sem ir sozinho na cozinha beber uma água. Faço tanta coisa, que quando fico três dias em casa sem fazer nada parece que foi só meia hora.

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